Detalhe da "Adoração dos Pastores", Juan Bautista Maíno, 1612, Museu do Prado

A CABAÇA COMO MEIO DE EXPRESSÃO ARTÍSTICA E CULTURAL

Porque o tema é tão vasto, este será o primeiro de vários artigos dedicados a explorar a presença e importância da Cabaça
no mundo das Artes, e nas culturas de vários países, em todos os Continentes do nosso planeta.

"Adoração dos Pastores", Juan Bautista Maíno, 1612, Museu do Prado

A origem da Cabaça permanece envolta em mistério e é motivo de debate no meio científico. Existem registros artísticos e arqueológicos em diversas zonas do globo, que apontam a Cabaça, não só como uma das primeiras plantas cultivadas no mundo, como comprovam a sua ancestral utilização no fabrico de variadíssimas peças de cariz utilitário e artístico. 
Na América Latina, existe uma enorme tradição em torno da cabaça, como é o caso dos famosos Mates Burilados do Peru.
Os mates burilados recordam-me a maravilhosa arte dos aborígenes Australianos. Tal como eles, também os artesãos e artistas Peruanos contam a sua história e tradição, estes últimos gravando e queimando na casca dura das cabaças, cenas que vão desde o quotidiano até marcos importantes na história do seu povo. 

Na imagem podemos ver um tradicional “Mate Burilado” do Perú.
A peça encontra-se no  Metropolitan Museum of Art, em Nova York, com uma data estimada entre o séc. II a.C e o séc. III d.C.
Estas peças de Museu são prova evidente da resistência da Cabaça ao tempo. 
Wiki/File

Um pouco por toda a América Latina a tradição da Cabaça manteve-se viva até aos nossos dias. Ainda no Peru é de salientar o tradicional mate (também chamado de cuia, no Brasil), acompanhado da “bombilla” ou “bomba” , que é utilizada para filtar e beber a densa mistura das ervas que compõe a tão apreciada bebida dos povos da América do Sul. 
Tal como se pode observar na imagem, e devido às características da cabaça, estes pequenos recipientes, tornam-se mais do que utilitários, oferecendo a sua superfície às mais diversas técnicas artísticas.

A Cabaça não se apresenta só como uma perfeita superfície de trabalho mas também como fonte de inspiração para artistas em todos os continentes. As suas formas exuberantes e surpreendentes têm sido recriadas nos mais diversos materiais e dado origem a obras de arte que podem ser vistas em muitos Museus de Arte Antiga. Deixo três exemplos em baixo, mas faltaria uma infinidade de materiais onde a forma da Cabaça é evidenciada e parte principal de obras de arte. Desde a pintura, ao vidro, metal, e tantos mais, podemos dizer que mesmo que a planta desaparecesse, dificilmente a Cabaça seria esquecida. 

Vaso em forma de Cabaça
China – Dinastia Qing
Museu de Arte de Cleveland

Escultura em madeira – Séc. XIX
Museu de Arte de Los Angeles

Jarro em forma de Cabaça
Japão – Finais do séc. XVII
Instituto de Arte de Chicago

Para além de emprestar a sua forma a outras matérias primas, a Cabaça tem sido também ela integrada com inúmeros materiais para dar origem a peças de Arte e Artesanato.
A sua superfície pode ser recortada, gravada, queimada, pintada, perfurada, e integra-se na perfeição com madeira, fibras naturais como juta, sisal, agulhas de pinheiro, entre muitas mais. 
Outra característica extraordinária da Cabaça é a sua sonoridade. Todos conhecemos o famoso Berimbau, associado à arte marcial Brasileira da Capoeira. Mas o papel da Cabaça no mundo da Música está muito longe de se resumir a esse intrumento.
Noutro capítulo, porque hoje o blog já vai longo, irei explorar um pouco do Universo Musical da Cabaça. 

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